12 anos, 17 lojas e uma caixa sempre esperando para ser aberta e surpreender
Da primeira loja com ares de galpão a uma marca que transformou o garimpo em experiência: por dentro da história da Openbox2.
Na inauguração da oitava loja da Openbox2, a fila para o caixa ficou tão grande que Juliana parou por alguns instantes para observar a cena.
Havia gente esperando com uma xícara na mão, enquanto outra pessoa segurava um prato que tinha acabado de encontrar. Crianças acompanhavam os pais e, ao fundo, um DJ tocava enquanto alguns clientes dançavam.
A reação dela foi imediata: “Meu Deus do céu, como que essas pessoas estão aqui?”
O espanto não vinha apenas do tamanho da fila, era a maneira como aquelas pessoas ocupavam a loja. Esperavam para pagar, sim, mas conversavam, ouviam música, circulavam e pareciam querer permanecer ali. Uma atmosfera totalmente contrária à que associamos quando se fala em “fila do caixa”.
Para Juliana, gerente comercial das lojas físicas, cenas como essa traduzem algo que foi sendo construído ao longo dos anos: o prazer de estar na loja, descobrir uma novidade e participar daquele ambiente.
É uma imagem curiosa quando colocada ao lado daquela que inaugurou essa história, em 2014.
A primeira Openbox2 tinha um espírito de outlet, com estética de galpão e produtos apresentados em paletes. Doze anos depois, são 17 lojas, uma operação digital integrada ao negócio e uma comunidade que ultrapassa 820 mil seguidores.
No meio desse caminho, muita coisa mudou. Juliana encontra uma imagem simples para aquilo que permaneceu: “a ideia de ter sempre uma caixa sendo aberta, algo novo em cada visita.”
E esse é um bom lugar para começar a entender os 12 anos seguintes.
O prazer de garimpar
Existe uma palavra que aparece naturalmente quando quem trabalha na Openbox2 tenta explicar a experiência da marca.
“‘Garimpar’ talvez seja uma das palavras que melhor traduzem a experiência Openbox2”, define Milena, gerente de marketing. O cliente pode entrar procurando um sofá e encontrar uma poltrona que não imaginava levar para casa. Pode descobrir uma mesa, parar diante de um objeto de decoração ou simplesmente perceber que aquilo que chamou sua atenção naquela visita talvez não esteja mais disponível na próxima.
O mix amplo e em constante renovação ajuda a alimentar essa sensação. Há produtos em grandes quantidades, outros em lotes menores, peças de pronta-entrega e oportunidades que podem não se repetir.
É uma dinâmica que parece particularmente contemporânea em um mundo acostumado a atualizar a tela em busca da próxima novidade. Curiosamente, a Openbox2 já trabalhava com essa lógica muito antes de o hábito de procurar algo novo a cada clique se tornar parte da rotina.
Existe ainda um componente especial nessa descoberta: a peça está ali.
A pronta-entrega faz parte da experiência desde os primeiros anos. Juliana lembra que a marca levou para as lojas itens que, no varejo tradicional de móveis, poderiam ser vendidos com prazos de 50 ou 60 dias para entrega. A forma de apresentar tudo isso, porém, mudou bastante.
Antes do cliente garimpar, alguém garimpou primeiro
A variedade encontrada nas lojas começa a ser construída muito antes de um produto chegar à prateleira. Thais, responsável pela área de compras, acompanha esse processo a partir de uma combinação de leitura de mercado, comportamento do consumidor, tendências e oportunidades de negócio.
Parte desse repertório é construída em feiras nacionais e internacionais, incluindo Alemanha e China. Mas encontrar algo interessante é apenas a ponta do iceberg. Para entrar no mix, cada produto passa por uma curadoria que considera design, materiais, funcionalidade, qualidade, preço e potencial comercial.
Nesse processo, uma das preocupações é entender o que representa uma mudança mais consistente na forma de morar e o que provavelmente terá vida curta. “Não queremos simplesmente reproduzir o que está em alta. Queremos entender o que pode continuar fazendo sentido daqui a algum tempo. É essa leitura que transforma uma tendência em produto”, explica Thais.
Essa curadoria ajuda a explicar por que o garimpo pode parecer imprevisível para quem entra na loja, embora exista bastante intenção por trás dele. A novidade precisa despertar descoberta e, ao mesmo tempo, encontrar espaço comercial dentro de um mix que se renova continuamente.
Quando a casa ganhou outro significado
A pandemia alterou a relação das pessoas com a própria casa.
Juliana lembra daquele período como um ponto de inflexão. Ao mesmo tempo em que as pessoas se voltavam para seus lares, o acesso a referências de cultura, arte e design se multiplicava. Na percepção dela, a compra passou a se relacionar cada vez mais com “o prazer, o bem-estar”, além da necessidade propriamente dita.
O comércio eletrônico crescia no mesmo momento. A Openbox2 havia iniciado sua entrada no e-commerce pouco antes da pandemia, inicialmente como uma extensão das lojas físicas. Havia, porém, uma particularidade incontornável: móveis são objetos que as pessoas tradicionalmente querem ver, tocar, medir e experimentar.
Tânia, gerente de e-commerce, lembra que essa percepção existia desde o começo. O aprendizado foi entender que o digital não precisava competir com essa experiência. “Ele poderia ampliar o alcance da Openbox2.” Foi o que aconteceu.
Hoje, alguém pode conhecer uma poltrona no Instagram, pesquisar suas dimensões no site, ir até uma loja, experimentá-la e concluir a compra online mais tarde. Outro cliente pode descobrir a peça fisicamente, voltar para casa, pesquisar novamente e finalizar o pedido pelo celular.
“Para o cliente, essas fronteiras praticamente deixaram de existir. Ele enxerga uma única Openbox2”, diz Tânia. A previsão de que o digital decretaria o fim da loja física também não se confirmou.
Para Juliana, aconteceu algo mais interessante: criou-se uma sinergia entre os dois ambientes. A loja passou a valorizar justamente aquilo que uma tela não reproduz por completo, o ambiente, o toque, a avaliação do produto e a relação humana envolvida na escolha.
Do ponto de vista de quem compra, circular entre esses mundos pode parecer bastante natural. Nos bastidores, fazer essa naturalidade funcionar exige outra história.
Entre um sofá e um rodo de pia
Ali Bakri, gerente de logística e operações, oferece talvez a melhor imagem para explicar a complexidade que cresceu atrás das lojas. A mesma estrutura logística precisa lidar com produtos que vão de grandes sofás a pequenos itens como um rodo de pia.
Cada categoria pede cuidados próprios de recebimento, armazenagem e movimentação. Ao mesmo tempo, a renovação constante do estoque exige envios frequentes para os pontos de venda.
A sensação de entrar em uma loja e descobrir algo que não estava ali dias atrás depende, portanto, de uma engrenagem pouco visível para quem está escolhendo uma mesa.
À medida que a rede física cresceu e o e-commerce ganhou espaço, a operação precisou acompanhar. Vieram estruturas diferentes de armazenamento, treinamento, reorganização das equipes e investimento em tecnologia, incluindo um sistema WMS para ampliar a capacidade operacional com mais organização.
Mas uma frase de Ali diz bastante sobre o tipo de crescimento que ele viu acontecer: “o bom resultado de hoje é naturalmente o ruim de amanhã”. Não porque aquilo que funcionava necessariamente tenha piorado, ele explica, mas porque a expectativa do consumidor continua avançando. Processos precisam ser revistos e a tecnologia precisa evoluir sem que o investimento nas pessoas fique para trás.
A espontaneidade do garimpo, afinal, precisa de bastante organização para parecer espontânea.
Quando design entrou na conversa
Preço e oportunidade fazem parte da Openbox2 desde a origem e continuam fazendo. Mas os 12 anos acrescentaram outras palavras ao vocabulário da marca: design, curadoria, materiais, tendências e personalidade.
Milena acompanhou essa transformação também pela comunicação. A Openbox2 passou a falar menos somente sobre aquilo que vende e mais sobre aquilo que as peças podem fazer dentro de uma casa: combinações, estilos, formas de morar, possibilidades de transformar um ambiente.
O próprio consumidor chegou a 2026 com outro repertório. As redes sociais democratizaram referências que antes circulavam principalmente em revistas, projetos especializados e universos mais restritos de arquitetura e interiores. Hoje, o cliente pesquisa, compara e chega à compra tendo visto muito mais. E a casa também passou a ser encarada de outra maneira.
“O consumidor não quer apenas ‘mobiliar uma casa’. Ele quer construir espaços que tenham relação com sua personalidade e com sua maneira de viver”, observa Milena.
É uma mudança importante para uma empresa que nasceu com a oportunidade como um de seus principais códigos. Porque encontrar um bom preço continua fazendo sentido, mas encontrar uma peça que parece pertencer exatamente àquela casa acrescenta outra espécie de satisfação.
A próxima loja pode guardar outra coisa
Talvez, poucas histórias expliquem tão bem a Openbox2 quanto os clientes que transformam suas unidades em uma espécie de circuito particular de garimpo.
Juliana conta que há quem passe por uma loja e siga para outra no mesmo dia. Leopoldina, Jafé, Tamboré. A lógica parece simples: se aqui havia algo diferente, o que será que tem na próxima?
Essa curiosidade também encontra combustível em um mix que, ao longo dos anos, já recebeu peças industriais, partes de avião, objetos grafitados e itens difíceis de enquadrar em qualquer ideia convencional de loja de móveis.
E houve o cavalo! Um cavalo decorativo gigante permaneceu por bastante tempo em uma das lojas. Até que uma peça semelhante apareceu na casa da cantora Ana Castela. De repente, aquele objeto excêntrico ganhou outro contexto, despertou mais atenção e acabou encontrando comprador.
A história parece quase pequena diante de uma empresa que chegou a 17 lojas, mas é por isso que funciona tão bem. Ela conta alguma coisa que os números não conseguem contar: o prazer de encontrar uma peça improvável, atribuir outro significado a ela e imaginar onde poderia viver depois que saísse dali.
Doze anos depois

2014 marca o início no formato outlet, com estética de galpão e paletes. Depois vieram novas categorias, uma loja inteiramente dedicada à decoração e uma rede que já alcançava oito unidades em 2018. Em 2019, a marca avançava na ressignificação de sua relação com o conceito de outlet. Em 2020, o digital acelerou. Em 2026, são 12 anos e 17 lojas.
Mas uma linha do tempo não registra a pessoa dançando enquanto espera para pagar. Não mostra o cliente que decidiu visitar mais uma unidade porque ainda queria ver o que encontraria por lá. Não mostra o caminho entre um sofá entrando no centro de distribuição e alguém descobrindo aquele mesmo sofá no Instagram, sentando nele em uma loja e decidindo comprá-lo pelo site alguns dias depois. E tampouco mostra quantas vezes uma empresa precisa mudar para continuar reconhecível depois de 12 anos.
Milena resume essa transformação dizendo que a oportunidade, presente desde o nascimento da Openbox2, ganhou novas camadas: “design, experiência, inspiração e diferentes formas de comprar.”
Para Thais, essa evolução também aparece naquilo que chega às lojas. Depois de 12 anos acompanhando a empresa e o mercado, ela percebe um consumidor cada vez mais interessado em construir uma casa com identidade, escolhendo produtos que façam sentido para seu momento e para sua maneira de viver.
E, assim, a imagem escolhida por Juliana no começo desta história continua funcionando perfeitamente: uma caixa sendo aberta, alguma coisa nova chegando e alguém querendo ver o que tem dentro desta vez.
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